sexta-feira, março 11, 2005

O neutro

Hoje, no Público, Eduardo Prado Coelho relembra um mito da história recente.

EPC trouxe à memória aquele momento kodak em que, na noite do atentado eleitoral, Luís Delgado tirou a máscara de comentador neutro e avisou que ia falar do amigo Pedro, a vítima do terror dos socialistas. "Não só, mas também": vítima também de Durão Barroso, que havia mentido ao Pedro e ao país. Poucos dias depois, na imprensa escrita, o comentador neutro haveria de fazer uma condenação pública do José Manuel Barroso, acusando-o de ter abandonado o barco.

No lodo, digo eu, como outro.

Agora, Luís Delgado já não aparece, iluminado ou a meia luz, como dantes. Apagou-se.

quinta-feira, março 03, 2005

Navio dos Espelhos

Chegou-me aos ouvidos que o "Navio dos Espelhos" está a atravessar dificuldades...

Para o pessoal de Aveiro: vamos por lá passar mais regularmente e tomar um café na companhia dos livros e dos cds?

Ainda o defice

Então em que é que ficamos? Cumprimos ou não o tecto dos 3%? Os "árbitros" dizem que não...

Como diria o outro, "a culpa é do sistema"...

Igreja ML

Com que então acabou-se a comunhão para quem toma a pílula ou a DIU, para quem recorre a métodos de reprodução assistida (!!!) e para quem publicamente se manifestar pró-despenalização do aborto e da eutanásia...

E eu que julgava que a Inquisição era espanhola e já tinha morrido de velha..

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Tiro no pe

Fernando Ruas insurgiu-se contra a afirmação de Saldanha Sanches, que afirmou existirem autarquias corruptas.

Qual é a novidade? Sabe-se à boca cheia...

O que é preocupante é a Associação Nacional de Municípios saber que existe corrupção em algumas autarquias e, para além de ameaçar processar quem o diz, não fazer nada para acabar com ela...

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Um negocio estranho...

Ainda não percebi aquela negociata santanista que acabou por fazer eleger 2 deputados pelo PPM e outros 2 pelo PSN (se não estou em erro)... foi uma coisa estranha, no mínimo.

Quem de 72 tira 4, sobram 68...

M&M

Luís Filipe Menezes vai re-editar a luta contra o "eixo sulista e elitista" que lhe rendeu a maior vaia da história dos sempre animados congressos do PSD... vamos ter um duelo Mendes vs. Menezes.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Francamente...

Quando for chegada a altura do referendo, votarei pela despenalização. Novamente. Convictamente. Mas, francamente, nestes tempos que correm, fazer da despenalização do aborto a charneira em torno da qual gira a política nacional é, no mínimo, uma ideia peregrina...

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

E agora...

Será suficiente? Ou será demais?

O que é certo é que virámos à esquerda, apesar do Luís Delgado, por certo, estar a apregoar aos 4 ventos uma estrondosa vitória do PPD-PSD (sim, ele deve ser capaz de fazer isso...).

Da noite eleitoral sobra uma maioria absoluta que, por o ser, me preocupa; sobra uma subida exponencial do BE e um (para mim) inesperado acréscimo de 2 deputados da CDU; sobra a dignidade na derrota que não esperava ver em Portas; sobra um Santana Lopes a esbanjar (tristemente) araldite por debaixo do rabo que senta na cadeira do poder laranja; e sobra, sobretudo, um discurso ôco e virado para dentro de Sócrates - a sintomatologia do poder.

A ver vamos...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Laissez... (ou "let it be", para os 4 cavaleiros do apos-calipso)

"Portugal vive, por opção, a fase mais liberal da sua História. Não havia alternativa. A integração europeia colocou-nos de corpo e alma no 'laissez faire, laissez passer'".

[Sérgio Figueiredo, in Jornal de Negócios]

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Bacoquice

Apesar de na ordem religiosa dos Padres Carmelitas Descalços já se aguardar a morte da irmã Lúcia há uns dias, Santana Lopes reagiu à notícia dizendo que "a morte da Irmã Lúcia é uma notícia impressionante que constitui um momento impressionante para Portugal e para o mundo." Como diz José Manuel Fernandes no final do seu editorial de hoje, "serão precisas mais palavras" para dar conta de tanta bacoquice?

Conto

Tendo alguma esperança de que os meus erros fossem matemáticos, prometi ensinar-me a contar. Jesus na cruz, a Virgem Maria e mais um punhado de Santos são tes­temunhas. Contou-me o meu pai, que também assistiu a tudo, apesar de não ser santo e nem para lá caminhar. Foi em agosto de um ano qualquer.
Depois conheci-te. Estavas na sala que desenrascámos para um último ensaio antes do nosso concerto no conservatório – dizíamos, os da banda, que era aquele o nosso primeiro passo para a internacionalização: depois acabaríamos por sair da nossa cidade, depois o distrito já seria outro e estaríamos a tocar nas beiras, depois Espanha, França e, finalmente, Wembley (o Central Park ficaria para a tourné seguinte…).
Mas as coisas correram mal logo nesse nosso primeiro passo: tropecei nas minhas cordas vocais e caí, sem voz, à frente de toda a gente e de ti. O sonho acabou, a banda nem chega a ser a reunião de amigos que queríamos que fosse. Somos uns palermas.
Acho que te desiludi logo nesse dia e passei a evitar-te. Enquanto pude.
E se é verdade que alguma verticalidade está guardada no coração, então acabei mesmo por perder a que me restava – não, não te preocupes, não a roubaste. Eu é que a perdi em ti.
Quis contar-te tudo isto e não consegui.
É esta a razão por que não acredito em Jesus, na cruz, sentado ou em pé, nem na Virgem, nem em nenhum Santo. Nem na fantochada da campanha a propósito da morte de Lúcia.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Nomeações

"Governo PPD/PP nomeou 72 pessoas desde que soube que ia haver eleições".

(Título do Jornal de Negócios)

quinta-feira, janeiro 20, 2005

1.º round

São 10h50, o primeiro round ainda deve ir pelo meio e já Portas está encostado "às cordas"...

O gajo passou-se, carago!

Passou-se, mas até pode vir a ser útil (talvez mais do que o "outro" que dá a cara pela utilidade do PP...).

O que o ex-autarca disse em conferência de imprensa é de tal forma grave que, agora, só restará ao PS uma de duas coisas:

1. subscrever as suas afirmações e mantê-lo nas listas;
2. ou demarcar-se da sua posição e das suas palavras extemporâneas, encostando-o às "boxes" e retirando-o das mesmas listas.

Terá Sócrates "ganas" para fazer o que deve? O que quer que venha a acontecer, será para mim sintomático quanto àquilo que podemos esperar do líder socialista quando for Primeiro-Ministro (que será, para o bem e para o mal, segundo diz Rui Oliveira e Costa).

" À Suivre..."

Os 20% que agora importam

"Os políticos portugueses em campanha descobriram os pobrezinhos. São 20 por cento da população e não se pode ignorá-los. Entre os dois milhões de pobres pode estar a percentagem que fará a diferença e contribuirá eventualmente para a formação de maiorias."

[João Paulo Guerra, in Diário Económico]

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Longe da vista...

Já se morre de sede e fome no Alentejo e estamos em Janeiro...

Custou ouvir um agricultor, Manuel Paparrola, dizer "estradas agora há muitas, mas as estradas não se comem"...

terça-feira, janeiro 18, 2005

O Perfume errado

Só um desabafo:

estive a ver o "Um contra Todos" da RTP1 e pasmei quando consideraram certa a resposta que colocava Nicholas Sparks como autor do "Perfume".

A menos que haja outro "Perfume" (que, no entanto, desconheço), o livro é uma obra-prima de Patrick Suskind...

PS - vou confirmar na web para ver se estou a dizer alguma asneira, mas, entretanto, fica no ar a ideia de a RTP "esteve em grande"!

O que eles sabem...

Publico este texto do "gibaum" apenas como forma de esclarecer um mal-entendido gerado pelo post de sexta-feira passada:

"As eleições de 20 de fevereiro em Portugal trazem um quadro para lá de curioso. O candidato do PSD (centro-direita) é Pedro Santana Lopes, actual primeiro-ministro boémio declarado, três casamentos desfeitos, cinco filhos, jovem, extrovertido e elegante, é um orador brilhante, apoiado pela classe artística e odiado pelos banqueiros. Seu imposto de renda é surpreendente: só dívidas e nenhum bem imóvel ou carro a declarar. Já o líder do Partido Socialista é José Sócrates, também jovem e separado, já faz mais o tipo introspectivo e desconfiado. Rico, mora num dos bons edifícios de Lisboa, tem um Mercedes último tipo e mantém uma amizade íntima para lá de estável e coloridíssima com o jovem e belo actor Diogo Infante, um ídolo da TV local."

[in www.gibaum.com.br]

segunda-feira, janeiro 17, 2005

O roubo dos cacos da Figueira II

Há uns anos atrás, um coleccionador de arte, à entrada dos serviços alfandegários dos EUA, e perante a pergunta do guarda sobre o que eram "aquelas pedras" que trazia consigo, hesitou entre a ofensa que lhe causava a sua classificação como "calhaus" e a preocupação de ter que pagar uma elevada taxa caso as declarasse como "esculturas"...

O roubo dos cacos da Figueira I

O Fundo Regional de Marselha organizou, há já algum tempo, em colaboração com a polícia local, uma exposição de objectos roubados. Com essa iniciativa, este Fundo pretendeu associar aos bens do quotidiano expostos um novo e mais nobre estatuto, traduzido no seu enriquecimento enquanto obras de museu. Prevendo que alguns dos lesados pudessem reconhecer as peças expostas e, consequentemente, se lembrassem de as reclamar, elas foram rodeadas de especiais medidas de segurança.
Ora a previsão concretizou-se: um grupo de cineastas da cidade reconheceu, entre os diversos tipos de objectos expostos, um seu antigo objecto de trabalho - a câmara com que costumavam filmar - que tentaram reaver, encetando várias diligências junto dos organizadores do evento. Confrontados com a impossibilidade de a recuperarem, os cineastas decidiram pôr em prática uma intervenção de ordem estética: roubaram eles próprios a sua antiga câmara.

Este relato verídico e rocambolesco é revelador da condição pós-medium em que arte contemporânea está envolvida, numa clara ausência de relação entre o artista e a matéria, numa clara ausência de mediação - a ideia já não precede a concretização da ordem estética e já nem a acção do sujeito criador sobre o mundo é essencial na produção de um objecto artístico.

Ou seja: a arte está muito mais dependente do discurso sobre o que é ou não é artístico do que sobre o gesto criador em si, que é muito menos palpável - assim se explica por que razão os cacos de um lavatório exposto como arte e avaliado em 27000 euros foram parar ao lixo.

Não há nada de mais redutor para a arte do que o facto de tudo poder ser arte.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Consenso geral

"Existe hoje um largo consenso na sociedade portuguesa acerca da muito difícil situação em que o País se encontra e da tremenda dificuldade em se inverter essa situação."

(Mário Lino, in Diário Económico)

Graça

Ainda a propósito do dito de Serge Gainsboug e da pergunta no divasecontrabaixos, tropecei neste desabafo do António Sala, longe do registo anedótico que mais facilmente se lhe reconhece:

"Nesse dia, afinal, onde é que Ele estava?

A bocarra gigante do tsunami não é esquisita, alimenta-se sem olhar a credos ou a cores. É perversamente democrática.

Nesse dia, afinal, onde é que Ele estava?

Não viu a boiar bebés, mulheres, homens, velhos e jovens, que na macabra dança das águas faziam cruzamentos de morte?"

Não teve graça nenhuma ver tanta gente fora das boas graças do Senhor...